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Consulte a história do Vale da Torre na Revista editada em 1995.

Esforço popular transformou Vale da Torre

 <<Vale da torre. Lugar da freguesia de Lardosa. Concelho de Castelo Branco. Trezentos e poucos habitantes, a maior parte deles velhos e crianças. (...) Talvez ninguém lá vá porque toda a gente julga conhecer muitas aldeias, ou pelo menos uma como Vale da Torre. É Verdade. Todos os portugueses conhecem, pelo menos, um lugar como esse da freguesia de Lardosa, Concelho de Castelo Branco. Porque há aldeias como Vale da Torre em todas as províncias de Portugal. Lugares de trezentos, quatrocentos, quinhentos habitantes, longe de tudo e de todos, e onde a única esperança de melhorar a vida se chamava, até há bem pouco tempo-25 de abril do ano passado - França, ou Bélgica, ou Luxemburgo ou Alemanha>>.

(“Correio do Povo”, 6 de Março de 1975)

Se há 20 anos estas palavras podiam, infelizmente, ser de facto verdade, e servir de retrato fiel das carências de inúmeras localidades conhecidas de todos os portugueses, o tempo veio alterar essa mesma realidade em Vale da Torre. Actualmente, é difícil de acreditar que muitos portugueses conheçam muitas localidades que tenham vindo a desenvolver de uma forma tão constante as suas infra-estruturas materiais e sociais, graças ao dinamismo e audácia dos seus naturais. A estes deve ser reconhecido mérito de não (des)esperarem pela ajuda da Administração Central para a resolução das muitas e graves carências que se faziam sentir no lugar de Vale da Torre.

 Carência geram emigração

Essas carências estavam na base de um forte e constante fluxo migratório em todo o concelho. De facto, se em 1960 a população do concelho de Castelo Branco era de 316,536 habitantes, em 1970 esta tinha baixado para 254.356. Cerca de um quinto da população (63.685) optou assim durante esses 10 anos pela emigração como único caminho então conhecido para a conquista de melhores condições de vida.

A falta de assistência médica, de condições de higiene sanitária, ausência de luz eléctrica, aliadas à falta de estradas e de meios de transporte, eram algumas das mais fortes motivações para a fuga das populações e levavam mesmo o “Correio do Povo”, a dizer, em 1975, que <<Vale da Torre é uma aldeia onde se chega dificilmente e se morre facilmente>>

Lutar contra as dificuldades

É também costume dizer-se que é perante as dificuldades que se vê a garra dos homens, e os naturais de Vale da Torre resolveram fazer justiça a essa máxima.

A vontade férrea de um punhado de naturais, que começou por se agrupar, em Agosto de 1974, numa “Comissão de Electrificação e Melhoramentos” e que uma não depois de transformou na Associação Social Recreativa e Cultural de Vale da Torre, marcou o ritmo da luta pela melhoria das condições de vida da sua terra natal.

A energia de Vale da Torre

O dia 4 de Agosto de 1976 trouxe à luz do dia o primeiro grande empreendimento desse movimento, festivamente assinalado pela população que por entre a actuação de bandas de música, acordeonistas e folclore celebrava o esforço popular culminado na inauguração da luz eléctrica.

Desde então e até à presente data, não mais pararam de combater as principais carências da localidade, desde, entre muitas outras obras, a melhora de estradas e ruas até ao abastecimento de água.

Mostraram, assim, que a energia que mobilizou Vale da Torre não era apenas de fonte eléctrica, mas que tinha sim a sua verdadeira origem na vontade e vigor dos que provavam o amor que tinham pela terra onde nasciam.

 Amadeu Costa (1995)